Casos de dengue caem 91% em bairro de Piracicaba que recebeu Aedes do Bem™

Publicado em Por Hosana Cortenove

Ano de monitoramento da dengue encerrado em julho/2016 terminou com 12 casos da doença, contra 133 ocorrências no período anterior no bairro do CECAP/Eldorado

A Vigilância Epidemiológica (VE) de Piracicaba divulgou novos dados nesta semana indicando uma redução de 91% no número de casos de dengue registrados no CECAP/Eldorado, bairro de 5.000 habitantes no leste de Piracicaba, no ano-dengue 2015/2016 em comparação com 2014/2015. O número de casos caiu para apenas 12 durante o ano em que foi liberado ali o Aedes do Bem™, mosquito geneticamente modificado que combate o Aedes aegypti selvagem, contra 133 casos registrados no período anterior.  Segundo a VE, no restante do município, a redução foi de 52% para o mesmo período, com 3.487 casos de dengue em 2014/2015 tendo caído para 1.676 em 2015/2016.

No ano-dengue 2014/2015, a taxa de incidência da doença no CECAP/Eldorado foi 195% maior do aquela registrada no restante do município. No ano-dengue 2015/2016, a taxa de incidência de dengue no CECAP/Eldorado foi 45% menor do que no restante do município. O balanço mostra ainda a inexistência de casos confirmados de Zika e chikungunya no CECAP/Eldorado.

“De um ano para o outro, nós conseguimos reduzir a incidência de dengue em mais de 50% em Piracicaba, resultado de um trabalho contínuo para eliminar os focos de água parada, que são o criadouro do mosquito. No CECAP/Eldorado, onde tivemos o projeto Aedes do Bem, a redução foi extraordinária, acima de 90%”, afirma o secretário municipal de saúde, Pedro Mello.

“Estamos empolgados com os resultados atingidos até agora pelo Aedes do Bem. Apesar de ser uma área limitada, esse resultado mostra o potencial de nossa abordagem”, afirma Glen Slade, diretor da Oxitec do Brasil, empresa que produz o Aedes do Bem.

Ano-dengue: O ano-dengue tem início na 27ª semana do ano, seguindo até a 26ª semana do ano posterior e é utilizado pelos serviços de vigilância em saúde como base para registro e acompanhamento das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. A taxa de incidência da dengue – calculada dividindo o número de casos pela população do local e multiplicando o resultado por 100 mil – é um importante indicador para planejar ações de combate à doença.

Aedes do Bem™: Produzido pela Oxitec do Brasil, o Aedes do Bem é utilizado em Piracicaba desde o dia 30 de abril de 2015, quando teve início a soltura de exemplares do inseto no CECAP/Eldorado. Em janeiro de 2016, a tecnologia havia reduzido o número de larvas do Aedes aegypti selvagem na área tratada em 82% em comparação com uma área não-tratada.

O sucesso na redução da população selvagem do Aedes aegypti levou a Prefeitura do município a prorrogar o projeto no CECAP/Eldorado por mais um ano. O uso do Aedes do Bem foi ampliado ainda para a região central do município, abrangendo uma área com 11 bairros e 60 mil habitantes. Os primeiros Aedes do Bem da região central devem ser liberados no bairro São Judas na penúltima semana de julho. O contrato para expansão do Projeto Aedes do Bem na região central de Piracicaba foi assinado no dia 31 de maio. Além do São Judas, o projeto irá beneficiar os bairros de São Dimas, Centro, Clube de Campo, Cidade Jardim, Cidade Alta, Parque da Rua do Porto, Nhô Quim, Jardim Monumento, Nova Piracicaba e Vila Rezende.

Como funciona o Aedes aegypti do Bem: A Oxitec tem trabalhado no controle do Aedes aegypti há mais de uma década. É pioneira no uso de um método biológico para suprimir populações selvagens desta perigosa espécie de mosquito mediante a liberação doAedes aegypti do Bem, machos que não picam e não transmitem doenças.  Ao serem liberados, esses machos buscam e copulam com fêmeas selvagens do Aedes aegypti e seus descendentes herdam um gene autolimitante que faz com que morram antes de se tornarem adultos funcionais.  Os descendentes do Aedes aegypti do Bem também herdam um marcador fluorescente que permite que eles sejam identificados no laboratório. Isto permite um nível de rastreamento e medição de impacto sem precedentes, levando a um acurado monitoramento e avaliação da eficácia durante todo o programa de uso do Aedes aegypti do Bem.

Diferentemente de outras abordagens, o Aedes aegypti do Bem não deixa pegada ecológica. O Aedes aegyptido Bem liberado no ambiente e seus descendentes morrem, portanto, não persistem no ecossistema.

Sobre a Oxitec: A Oxitec é pioneira no uso de engenharia genética para controle de vetores e pragas que disseminam doenças e destroem culturas. Foi fundada em 2002 como uma “spinout” da Universidade de Oxford (Inglaterra). A Oxitec é uma subsidiária da Intrexon Corporation (NYSE: XON), empresa que utiliza biologia para ajudar a resolver alguns dos maiores problemas mundiais.

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