Cras põe à prova as delícias do empreendedorismo e do sucesso pessoal

Publicado em Por Jose Guilherme Cortenove
Cras põe à prova as delícias do empreendedorismo e do sucesso pessoal

Cras põe à prova as delícias do empreendedorismo e do sucesso pessoal – Foto: Divulgação

Ao longo de cinco semanas conhecemos histórias de pessoas que superaram barreiras para adotar uma nova profissão ou hobby para suas vidas. Para encerrar a série de matérias Cras Jerubiaçaba: Construindo Caminhos, vamos conhecer a história de Simone Farhat Pontes, 49 anos. A paulistana está residindo em Águas de São Pedro há dois anos e em 2016 resolveu fazer a oficina de Panificação. Seu talento e amor pela cozinha, unidos ao conhecimento que adquiriu durante as aulas, a levou a fundar a SP Kitutes.

Simone soube das oficinas do Cras (Centro de Referência à Assistência Social) por seu marido, que é funcionário público. O ano passado ela participou das aulas de Panificação, no primeiro semestre; e Doces e Compotas, no segundo. Em 2017 decidiu continuar com as aulas que são oferecidas gratuitamente pelo local, uma maneira de se aperfeiçoar. “Decidi me inscrever como uma forma de preencher meu tempo, enquanto não trabalho na minha área”, relatou a nova cozinheira, que tem uma longa carreira como professora de inglês.

Segundo ela, o antigo ofício continua presente na sua vida. “Atualmente não tenho alunos, mas continuo dedicada a esta profissão, do mesmo modo à SP Kitutes”.  A princípio Simone buscou as oficinas como forma de passar o tempo em uma cidade mais tranquila que a capital paulista, mas os amigos começaram a cobrar os resultados de sua dedicação e talento. “Comecei fazendo o antepasto de berinjela e geleia de pimenta, depois com o passar do curso, comecei fazer testes e aumentei minha gama de produtos”. Geleias, antepastos, alichela e pastas árabes são alguns dos itens que ela produz para a venda. “O Cras serviu como um estímulo. Aprendi muitas coisas nas oficinas, como conservação, mas como sou descendente de árabes, também já sabia fazer húmus e babaganuche”, relatou.

O carro chefe da cozinheira, que participa de feiras de artesanato, são dois produtos: a geleia de pimenta e o antepasto de berinjela. “Como sai do mercado de trabalho por adotar Águas de São Pedro como lar, eu vi os quitutes como uma forma de obter um retorno financeiro”. Para Simone, é possível fazer renda, mesmo neste momento de crise econômica.

Os clientes são formados por amigos e conhecidos a partir da rede social. “Eu acho que o que faço é uma coisa rápida para comer, apesar de não ser para fazer”. Por isso, quando alguém está em apuros, a SP Kitutes torna-se a solução. “Alguém fala que deverá receber uma visita, mas está sem nada para oferecer, eu indico um antepasto de berinjela, que pode ser servido com torradas”, comentou sobre o preço justo e a qualidade dos produtos salgados e também doces.

A cozinha para Simone tem uma questão afetiva, não por acaso foi esta a área escolhida por ela como alternativa. “Sempre via minha mãe cozinhando e peguei o gosto. O nome da empresa é inclusive em homenagem à ela, que sempre usava essa palavra quando dizíamos que estávamos com fome. O ‘K’ é para dar um charme”, relatou.

Cras põe à prova as delícias do empreendedorismo e do sucesso pessoal

Cras põe à prova as delícias do empreendedorismo e do sucesso pessoal

Cras Jerubiaçaba – Durante cinco semanas conhecemos as histórias de várias mulheres: Irani Jensei, 54 anos; Michelle Petri, 25 anos; Ligia Santos da Rocha Silva, 31 anos; Angela Cristina Justo, 43 anos; Gilberta Braga Vasconcellos, 60 anos; Flávia Maria Cividanis Lino e Freitas, 64 anos; Eliana Azevedo, 60 anos; e Pamela Colombo, 31 anos. Todas elas buscaram nas oficinas do Cras alternativas para a vida, seja um complemento de renda, uma nova perspectiva profissional, ou mesmo um hobby que as ajudasse a enfrentar momentos de crise. Elas são alguns dos exemplos do trabalho desenvolvido pelo Centro de Referência, órgão que é considerado a porta de entrada da Assistência Social.

A proposta do Cras é trabalhar em locais e com pessoas que estão em vulnerabilidade social, entretanto, as oficinas desenvolvidas pela unidade de Águas de São Pedro ultrapassam esta perspectiva. Se o órgão tem como objetivo ajudar a construir soluções para o enfrentamento de problemas comuns, eis que surge na cidade a necessidade das oficinas como um suporte a quem deseja se aperfeiçoar e encontrar uma fonte de renda.

Segundo a assistente social do local, Érika F. da Cruz, boa parte dos participantes voltam a realizar novos cursos no Cras. “Eles continuam como um complemento do que aprenderam, por lazer e no intuito de socializar”, relatou. De acordo com a psicóloga do centro, Sílvia Helena Ferrero, esse interesse faz parte das descobertas de cada um. Por isso, além da continuidade e aperfeiçoamento, é comum acontecerem mudanças de áreas. “Alguns migram para cursos nos quais podem experimentar-se em diferentes habilidades e novas atividades. Mas dificilmente, quem faz um curso no Cras não retorna. A maioria deseja participar sempre mais”. Para a profissional, com isso é possível que se desenvolvam pessoalmente e profissionalmente. “Deste modo, criam laços sociais estreitos com a equipe e com os outros usuários”, relatou. Vale lembrar que no início de 2018 serão anunciadas as novas vagas para as oficinas, e que elas serão gratuitas.

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