Empreendedorismo Feminino: desafio é integrar demandas

Publicado em Por Adelle Gebara
A diversidade de participações durante o lançamento do Fórum de Empreendedorismo Feminino, na tarde desta quarta-feira (13), aponta para necessidade de integrar demandas de grupos específicos relacionados neste segmento. “Tivemos número bem significativo de pessoas e instituições, cada um com trabalho específico, o desafio é juntar os vários recortes”, analisa Nancy Thame, vereadora e autora da proposta.

Criado pelo decreto legislativo 21, publicado em 14 de setembro deste ano, o objetivo do Fórum é fortalecer o empreendedorismo feminino na cidade, formado, em grande maioria, por microempresárias. “Temos ofertas e demanda de grupos que precisam de reconhecimento. Na próxima reunião, vamos construir essa metodologia”, avalia Nancy.

O próximo encontro deve ocorrer em fevereiro de 2018. Até lá, as participantes do Fórum manterão contato para construir as ações do colegiado. “Acredito que a gente vá ter um caminho por onde serão organizadas palestras, seminários e mesas-redondas, e outro espaço com demandas específicas de determinados grupos”, disse Nancy.

Durante a reunião de cerca de duas horas, foram apresentadas experiências que vão desde iniciativas particulares, com formação de networking, passando por cursos e atuações no âmbito acadêmico, chegando até questões envolvendo o papel inclusivo do empreendedorismo, sobretudo a partir da formação de cooperativas.

“É um assunto muito pertinente, porque a gente vê, hoje em dia, um número cada vez maior de empreendedores”, avalia Silvia Morales, professora da Faculdade de Gestão de Negócios da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Ela acredita em mudança na cultura de formação de novos negócios.

“O maior desafio é transformarmos empreendimentos iniciados por necessidade, por aqueles iniciados por oportunidade”, disse. Silvia citou a experiência do NEPED/Unimep (Núcleo de Estudos de Educação Popular e Direitos Humanos) e aposta na ampliação da parceria com outras instituições da cidade.

Paula Batistela, empreendedora e co-criadora da marca Vivendo da Nossa Arte, analisa o Fórum como um espaço de busca de capacitação e networking, “que não é só eu ter o contato de alguém”, diz, “mas ter um relacionamento legítimo, eu lembrar e ser lembrada para todo mundo crescer, todo mundo se ajudar e sai ganhando”.

Ela acredita que o caminho inicial do Fórum é atuar de maneira a popularizar o debate sobre empreendedorismo. “Os estímulos que existem sobre este o assunto na cidade são elitizados, mas isso precisa ser levado para as comunidades”, disse.

A assistente social Mara Zanini, que atua em conselhos municipais de Piracicaba, destacou o aspecto inclusivo do empreendedorismo, especialmente no segmento de egressos do sistema prisional, e que pode ser trabalhado com o estímulo de cooperativas. “Isso minimiza as desigualdades, oportuniza que a pessoa tenha lucro sobre o seu próprio trabalho e não em um capital gerado para outros administrarem”, disse.

Mara enfatizou também que o Fórum pode servir para estimular a educação voltada para transformar idéias em propostas de negócios. “O nosso País é cheio de cidadãos criativos, mas é preciso ter conhecimento para saber o que fazer com a criatividade.”

A reunião inaugural do Fórum de Empreendedorismo Feminino contou também com representantes da OAB – 8ª Subsecção, Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Unicamp, Simespi (sindicato patronal da indústria), Senac, Semtre (Secretaria Municipal do Trabalho e Renda), Fatec, Conselho Municipal da Mulher, Seame (Serviço de Apoio ao Adolescente com Medida Socioeducativa) e representante do Centro de Ressocialização Feminina.

“Empreendedorismo Feminino: desafio é integrar demandas” – Foto: Lucas do Nascimento Machado (estagiário)

Texto:  Erich Vallim Vicente

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