Otávio de Andrade, o “Jaú” será homenageado na Câmara de São Pedro

Publicado em Por Diagramador

O vereador de São Pedro, Luiz Fernando Gomes Altos, conhecido como Luiz Melado (PSDB), apresentou o Projeto de Decreto Legislativo nº 011/2017 que “Concede a Honraria “Medalha 22 de Fevereiro” a Otávio de Andrade, o popular Jaú.

Otávio de Andrade, conhecido carinhosamente como Jaú, nasceu em Pederneiras, em 15 de setembro de 1946. É filho de Marciano de Andrade e Adiba Barreto de Andrade, colonos lavradores. Muito pobres, trabalhavam na roça: no corte de lenha (por metro), da cana, na colheita de café, arroz e feijão. Moravam num distrito de Pederneiras, chamado Vangloria.

Tiveram 07 filhos. 06 homens e uma filha adotiva. Quando Otávio tinha 4 anos de idade, seus pais se mudaram para Pederneiras. Aos 7 anos Otavio começou a frequentar o Grupo Escolar da cidade. Ajudou seu pai na roça desde os 9 anos. Pegavam caminhão para poder ir trabalhar na lavoura da cana e nos cafezais. Sua mãe era costureira.

Primo da dupla Craveiro e Cravinho, que também moravam em Pederneiras. Em 1956 estes parentes se mudaram para a pequena cidade de Ártemis, distrito de Piracicaba, mas a família ficou em Pederneiras. Após curto tempo, um parente convidou-os a ir morar em Ártemis. Eram humildes e não tinham dinheiro. O único bem que tinham era a máquina de costura “Mercury” da mãe, que autorizou a venda para poderem fazer a viagem. Foram de trem até Torrinha. De lá pegaram um ônibus até Ártemis, que nessa época era chamada de “Porto João Alfredo”. No Distrito, um primo do pai, que era chefe da estação ferroviária os ajudou muito. Foram trabalhar em olaria fazendo tijolos. Recebiam em vale-comida. Se quisessem dinheiro, tinham que vender algo.

“Otávio de Andrade, o “Jaú” será homenageado na Câmara de São Pedro” – Foto: Arquivo/Jornal O Regional

Em 1957, os parentes foram para Piracicaba e a família de Otavio veio para Aguas de São Pedro. O pai conseguiu junto ao primo de 1º grau, fundador de Águas de São Pedro, Dr. Octavio de Moura Andrade, uma casa na fazenda Palmeiras, onde foram morar. A mãe começou a trabalhar como lavadeira de roupas, na Pensão Bela Vista.

Entre 1957 e 1958, Otavio frequentou o grupo escolar Ângelo Franzin. Nesta época, com a família católica, participava das missas da Igreja Imaculada Conceição. Foi convidado junto com os irmãos, para serem coroinhas.

Em 1959, Otavio queria ser padre. O Conego falou com D. Celina, esposa do Dr. Octavio de Moura Andrade. Eles o acolheram e foram para São Paulo, em um avião teco-teco amarelo. Foi uma aventura para Otavio. Foi colocado no pré seminário. Estudou por 3 anos. Em 1962 voltou e começou a trabalhar nas pensões e hotéis de Águas de São Pedro: Pensão Bela Vista, Santo Antônio, Esplanada, Grande Hotel, Avenida.

Em 1964 a família se mudou para Piracicaba. Nesta época, na ditadura militar, o país estava passando por uma crise econômica muito difícil. Desemprego em massa.

Tiveram que voltar para Águas de São Pedro novamente. Seu irmão José tinha ido trabalhar em Limeira. Otávio também foi. Trabalhou por 5 anos no Freios Varga.

Em 1966, Otavio começou com seu irmão Benedito, uma dupla sertaneja. Primeiramente com no nome de “Otavio e Ditinho” e depois “Jaú e Jaó”. Iam para Piracicaba se apresentar nas emissoras de rádio. Na Difusora, havia o programa “Craveiro e seus convidados”. Foi aí que deu início a dupla, que dura até hoje. As raízes vieram do pai, Marciano de Andrade. Na época em que moraram em Pederneiras, fazia parte, juntamente com seus irmãos, do grupo de “catireiros”.

Em 1966 começaram na busca pela gravação de um L.P. Frequentavam muito o Café dos Artistas, em São Paulo. Era o ponto de encontro entre circenses, cantores e duplas que iam na busca por shows. Também na cola dos primos (Craveiro e Cravinho), iam muitos à Rádio Bandeirantes. Esta emissora tinha o programa “Beira da Tuia”, com a dupla Tonico e Tinoco. Craveiro e Cravinho tinha neste programa, todas as terças feiras, uma participação especial. Nesta emissora cantaram uma vez. O Tinoco da dupla, também ofereceu um programa para que começassem logo, mas por motivos financeiros não puderam ir, pois moravam em Aguas de São Pedro e ficava difícil a ida. Foram convidados por Carlito Martins, e fizeram apresentação uma vez pela TV Bandeirantes, no Programa Som Verde, do Tonico e Tinoco e Craveiro e Cravinho. Também foram ajudados pelo radialista Fiori Gigliotti, Diretor da Rádio Bandeirantes.

Em 1979, conhece a Dupla Liu e Léo, que haviam recentemente comprado uma gravadora “Gravações Tocantins Ltda”. Liu e Léo prometeu gravar L.P. da dupla, usando as seguintes palavras: “se Tocantins não tiver dinheiro em caixa, vou gravar do meu próprio bolso”. E por outro lado, Jaú e Jaó, ofereciam também, um bom repertorio de primo Zezito (in memoriam) compositor, irmão da dupla Craveiro e Cravinho, com as músicas: “Vou doar meus olhos”; “A Cantora”; “Apito do trem”; e algumas do próprio Otávio (Jaú). Dessa forma assinaram contrato no dia 13 de maio. Em julho começaram a gravar. Em setembro estavam com o primeiro LP em mãos. A Tocantins de Liu e Léo para a divulgação, marcou para a dupla apresentação: na TV Cultura, no programa de Inezita Barroso; no Canal 7, Programa Silvio Santos; TV Gazeta; TV Bandeirantes, no Programa Flora da Serra.

Em 1980 foram para o estado do Paraná, para Ibiporã, cidade próxima a Londrina, na continuidade da divulgação da dupla. Foram muito bem recebidos pelas TVs locais: TV Tibagi de Apucarana, (onde o programa era ao vivo), e TV Vanguarda de Cornélio Procópio (onde o programa era gravado). Viajaram com shows quase o Paraná inteiro. Ficaram por 2 anos morando lá e permaneceram nestas TVs. Ficaram muito conhecidos.

Em 1982, voltaram para São Pedro. Otavio havia se casado em 1981, com Maria Aparecida de Oliveira Andrade, que era de Dracena/SP. Tiveram 3 filhos: Tarcísio, Juliano e Rafael. Eram dias difíceis. Os shows eram só em circos. Não existiam ainda os rodeios e barzinhos para shows. Sebastião havia se casado e retornado para Ibiporã. Dessa forma, dificultou a realização de novos trabalhos. Otavio foi trabalhar com algo diferente: vendas, mas mesmo assim a dupla permanece até hoje como Jaú e Jaó, sendo respeitada no cenário nacional, inclusive recentemente, lembrada pelo apresentador Ratinho em seu programa no SBT, no qual falou que tinha todos os LPS da dupla, da qual é fã, deixando a dupla muito emocionada.

Em 1988 Otavio se candidatou a vereador por Aguas de São Pedro. Em 1992 lançou um partido político, o PRP e foi candidato a prefeito por Aguas de São Pedro. Em 1996 o PRP elegeu Luiz Antonio De Mitry, prefeito de Águas de São Pedro.

Em 1996, escolheu lutar por uma cidade melhor, São Pedro. E se candidatou a vereador 1996 e 2000, pelo PSB. Em 2004, pelo PTC e em 2008, pelo PMDB.

Em 2011, lançou um partido em São Pedro – PSOL, com 3 candidatos a vereador, com apoio de Helinho Zanatta e Thiago Silva.

Não conseguiu se eleger em nenhuma dessas eleições, mas de certa forma colaborou com a Democracia e a Política. Acreditava muito no provérbio, tão verdadeiro: “mais vale a lágrima de uma derrota do que a vergonha por não ter lutado”.

São Pedro é a cidade em que está até hoje e cria seus filhos: Tarcísio, Juliano e o futuro médico, Dr. Rafael, que se espera que venha fazer muito pela cidade que tanto ama.

“Entendo que pelo que já fez levando o nome de nossa cidade e pelo cidadão que é, Jaú merece essa justa e linda homenagem”, justificou o vereador Luiz Melado.

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