Artesanato dá novas formas e cores à vida, assim define participantes de cursos no CRAS Jerubiaçaba

Publicado em Por Diagramador

Moldar e pintar são artes de quem dedica amor e talento para um objeto, peça ou tela. Como artesanato, essas habilidades podem ser garantia de uma ótima fonte de renda. A partir desta proposta, o Centro de Referência à Assistência Social Jerubiaçaba (Cras) promoveu ao longo do primeiro semestre os cursos de feltro, biscuit e pintura em gesso. Na terceira matéria da série Cras Jerubiaçaba: Construindo Caminhos, conheceremos as histórias de quatro mulheres que colocaram a mão na massa, tinta e tecido para transformar suas vidas com novas formas e cores.

O trabalho com o feltro virou um oficio na vida de Ângela Cristina Justo, 43 anos. Ela entrou na oficina do Cras com o propósito de adotar o artesanato como uma alternativa de renda. “Eu já tinha feito as aulas de aromas e resolvi buscar na oficina de feltro uma possibilidade de trabalho”, relatou. Segundo a artesã, é possível criar qualquer coisa a partir do material. “O que você pode imaginar, como decoração de festas, batizados e chá de bebê”. Vaquinhas, casinhas, vários cenários e personagens estão entre os itens que ela conhece bem.

“Artesanato dá novas formas e cores à vida, assim define participantes de cursos no CRAS Jerubiaçaba” – Foto: Arquivo/Jornal O Regional

Ângela os vende em vários locais. “Meus trabalhos estão espalhados pela cidade, além da comunidade escolar do meu filho”. Com o artesanato, ela mudança sentiu uma profunda mudança de perspectiva em sua vida. Uma alternativa possível devido a política pública do Centro de Referência, “O Cras me possibilitou realizar este desejo, fornecendo aulas e material gratuitamente. Eu pensei, essa é uma boa. Além disso, participar das aulas abriu a minha mente”.

O mesmo entusiasmo é relatado pelas empreendedoras, Eliana Azevedo, 60 anos, e Pamela Colombo, 31 anos. Nora e sogra se uniram para dar um upgrade no comércio da família. Eliana é comerciante há mais três décadas em Águas de São Pedro, mas foi à primeira oficina dela e de Pamela no Cras. Elas decidiram investir tempo e dedicação nas aulas de Pintura em Gesso. “Eu adoro pintar, então não tive dúvidas quando soube das oficinas”, relatou Eliana.

Segundo a comerciante, seu interesse pessoal pelas aulas transformou-se em uma nova possibilidade comercial. Hoje as peças produzidas por elas estão na loja da família. Elas, que já vendiam peças de gesso, encontraram um novo nicho de atuação por meio da oficina. “Conhecemos o gosto das pessoas e podemos trabalhar com os objetos de acordo com a demanda”, disse. Conforme explicou Eliana, se alguém desejar uma obra com um detalhe diferente ou mais versões da mesma, pode ter em poucos dias se permanecer na cidade. Assim elas conquistaram uma independência dentro do mercado onde atuam.

Entretanto, tudo começou de forma despretensiosa. “Resolvi fazer o curso para ter uma ocupação e também uma possibilidade de renda. Eu sempre gostei, e agora percebi que era isso mesmo o que queria”. O maior atrativo no novo ofício para ela é poder dar cores aos objetos e transforma-los em obras únicas. “Com a pintura, cada uma será diferente da outra. É uma forma de dar vida a elas”.

Recentemente, Eliana passou o bastão da loja para o filho e nora, mas todos eles continuam trabalhando juntos. Segundo Pamela, que nunca se imaginou com talento para atividades manuais, a adoção do estabelecimento foi o motivador de muitas mudanças. “Nós decidimos mudar o rumo da nossa vida e ficar mais próximos à família, por isso assumimos a loja”. Sobre o curso, ela também buscou primeiramente uma atividade de lazer. “Eu nunca tive habilidade nem para dobrar caixa de sapato, mas deu certo. O que era para ser apenas uma ocupação tornou-se uma atividade que gosto de fazer”.

“Artesanato dá novas formas e cores à vida, assim define participantes de cursos no CRAS Jerubiaçaba” – Foto: Arquivo/Jornal O Regional

Thais Araújo Silva, 22 anos, também fez sua primeira oficina no Cras. Ela escolheu as aulas de biscuit depois que foi incentivada por alguém bem experiente na área. “Eu precisava ocupar meu tempo, minha cabeça, e soube do curso pela própria professora, que é minha vizinha”.

A jovem é natural de Minas Gerais, e está em Águas de São Pedro há 9 anos. Durante a oficina, Thais precisou voltar para seu estado natal. De lá, ela trouxe na bagagem várias encomendas do trabalho que mal havia iniciado. “Depois de duas semanas de aulas eu fui para lá, mostrei um trabalho que havia feito e recebi uma encomenda de 80 bonecos do João Pé de Feijão”. Ao chegar à estância, outro pedido já lhe foi solicitado: cinderelas, carruagens e velas de aniversário.

Em dois encontros, o biscuit ocupou sua cabeça de Thais, como ela pretendia. “Eu não sabia que era capaz até receber as encomendas, fiquei maravilhada. Eu superei barreiras e o trabalho aumentou minha criatividade”, relatou. A jovem não sabia de suas habilidades com o biscuit, mas não foi apenas seu talento natural que contribuiu para seu sucesso. Foco e o comprometimento foram fundamentais. “Além das aulas, eu vejo também muitos vídeos para me aperfeiçoar”.

Com esta nova perspectiva de vida, Thais planeja o futuro. O objetivo dela é usar o artesanato como forma de alçar voos maiores. “Eu quero cursar uma faculdade. Pretendo guardar o valor das minhas vendas para isso”.

Dedicação – A professora Cibele Tímpano Rocha, 38, relatou que tudo aquilo que suas alunas vivem hoje é uma experiência que ela já passou, pois também foi aluna do Cras. “Eu acho maravilhoso, comecei como aluna e busco passar minha experiência para elas”. A primeira oficina de Cibele foi de patchcolagem. “Mesmo frequentando as aulas, sempre busquei fora mais informações para me aperfeiçoar”, comentou. Essa atitude foi reforçada quando encontrou um grande desafio durante a oficina de boneca de pano. “A professora precisou parar de dar as aulas. Então fui atrás de mais conhecimento sobre o assunto e logo minhas bonecas começaram a ser encomendadas”.

Grande incentivadora da autonomia, Cibele destacou que fica orgulhosa das integrantes dos cursos. “Posso dizer a elas que faço deste trabalho minha fonte de renda”, comentou sobre a forma de estímulo. Além das aulas, a professora também continua trabalhando como artesã.

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