Espetáculo no Sesc Piracicaba relata a experiência de ser homem negro na periferia de SP

Publicado em Por Diagramador

“Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens” é a materialidade cênica e poética que o dramaturgo, ator e diretor Jé Oliveira, do Coletivo Negro, escolheu para formalizar sua investigação sobre a construção da masculinidade negra periférica. A peça-show, como é entendida, será apresentada na próxima quarta, 22 de novembro, às 20h00, no Teatro do Sesc Piracicaba. Os ingressos custam entre R$ 3 e R$ 10 e já estão à venda nas bilheterias das unidades ou pelo portal sescsp.org.br/piracicaba.

A apresentação integra o projeto especial Expressões Afro destaque neste mês devido ao Dia Nacional da Consciência Negra, com ações que objetivam o fortalecimento e reconhecimento de diferentes culturas, bem como o fomento ao respeito pelas diferenças, com o intuito de refletir sobre a construção de variadas identidades e valorizar a pluralidade de manifestações e expressões culturais afro.

A obra busca uma relação íntima com o público por meio da palavra falada e cantada e, para isso, utiliza-se da construção poética da presença cênica. Paisagens sonoras e imagéticas se materializam por meio do ato de contar, expor, refletir e dialetizar a experiência de ser negro na urbanidade. A peça é também tributária ao legado dos Racionais Mc’s e rendeu a Jé Oliveira a contemplação no 6º Prêmio Questão de Crítica em 2017.

“Espetáculo no Sesc Piracicaba relata a experiência de ser homem negro na periferia de SP” – Foto: André Murrer fotografia

Processo de criação: Durante um ano foram entrevistados 12 homens negros de diversas idades e ocupações, com a intenção de verificar alguma unidade nas trajetórias e buscar inspiração para a construção de uma narrativa sobre suas experiências. A peça representa uma afirmação de luta. “Esse espetáculo é uma intenção sobre a vida, é uma afirmação da existência mesmo sob os escombros. Os encontros que tive com cada entrevistado foram de vida que pulsa e espero ter traduzido um pouco disso na encenação”, destaca Oliveira.

Prêmios: A peça rendeu a Jé Oliveira a contemplação no 6º Prêmio Questão de Crítica; a pesquisa e criação do espetáculo foi contemplada na XXV Edição da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, com estreia e temporada no Sesc Pompeia em março de 2016 e já soma apresentações no Festival Internacional de Curitiba, Itaú Cultural, Sesc Copacabana (RJ), Sesc Palladium (BH-MG), Escola Livre de Teatro de Santo André e diversa unidades do Sesc no interior de SP.

Sobre o Coletivo Negro: O Coletivo Negro é um grupo de pesquisa cênico-poético-racial que há oito anos se debruça sobre a presença do negro no teatro brasileiro. Formado por Aysha Nascimento, Flávio Rodrigues, Jefferson Mathias, Jé Oliveira, Raphael Garcia e Thaís Dias, recebeu duas indicações ao Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro com a obra “Movimento Número 1: O Silêncio de Depois…”, nas categorias Melhor Elenco e Grupo Revelação. Concorreu ao Prêmio Qualidade Brasil, por sua ocupação artística no TUSP (Teatro da USP). O grupo já se apresentou em alguns dos principais palcos da cidade de São Paulo e do país como as unidades do Sesc Pompéia, Copacabana Santos, Auditório Ibirapuera, Itaú Cultural, TUSP, Teatro Villa Velha (Bahia), CCBB (MG), Cooperifa, Galpão do Folias, entre outros.

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