Professora defende inclusão no mercado de trabalho “além das cotas”

Publicado em Por Jose Guilherme Cortenove
professora-defende-i-1-fabr - Foto Fabrice Desmonts

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A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho para além do mero cumprimento da lei federal 8.213/1991 foi defendida nesta terça-feira, dia 21, pela professora doutora Valéria Rueda Elias Spers, que comandou apresentação sobre o assunto, como parte do curso “Cidade para todos: acessibilidade nos municípios”, oferecido pela Escola do Legislativo de Piracicaba.

Passados 26 anos da entrada em vigor da norma que obriga empresas com mais de 100 funcionários a terem de 2% a 5% de profissionais com deficiência em seu quadro, a cobrança agora deve mirar a qualificação desses trabalhadores, disse a docente do programa de pós-graduação em Administração da UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba).

“Incluir não é apenas conceder uma vaga a uma pessoa com deficiência, mas, sim, oportunizar o seu crescimento e desenvolvimento na instituição. Contratá-la apenas para cumprir uma lei, sem remover os obstáculos existentes no caminho que ela terá que percorrer para buscar um trabalho, acabará colaborando para criar o estigma de que ela não possui competência para disputar o mercado competitivo”, afirmou.

Dos empecilhos para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, três se sobressaem: líderes e gestores ainda não consideram incluir tais profissionais em cargos estratégicos, pois tendem a considerá-los menos produtivos ou creem que geram mais custos com acessibilidade; relações interpessoais ainda muito fundamentadas em estereótipos e preconceitos; e a maior parte das vagas oferecidas é operacional e pouco atrativa.

“Enquanto não transformarmos a mentalidade antiga de que as pessoas com deficiência são menos qualificadas, menos produtivas e que exigem muitos investimentos, não daremos um salto no processo de inclusão”, rebateu Valéria, ao citar estudos que apontam que “a qualificação das pessoas com deficiência segue basicamente o padrão da população brasileira sem deficiência, na média geral”.

De acordo com a professora, as saídas para superar os desafios da inclusão passam por uma atuação conjunta do empregado, da empresa e de seus gestores.

“A organização precisa mostrar que todos os funcionários são iguais e conseguir manter a motivação deles para o trabalho”, afirmou.

“Já o gestor deve conhecer o perfil da pessoa com deficiência, suas habilidades e suas capacidades e adequar isso à função dela, pois, muitas vezes, o profissional está insatisfeito com a tarefa que desempenha em razão dessa dificuldade do empregador em avaliar suas reais possibilidades”, completou.

Segundo Valéria, uma vez efetivada, a inclusão repercute positivamente no ambiente de trabalho, por exemplo, ao criar oportunidades para as empresas gerarem mais negócios. “A pessoa com deficiência pode resolver problemas para além da visão de quem é encarregado em buscar soluções para eles, contribuindo para o processo de criação ou tomada de decisões”, apontou a docente da Unimep, que, antes de iniciar a palestra, foi apresentada aos participantes do curso pela vereadora Nancy Thame (PSDB).

“Cidade para todos: acessibilidade nos municípios” terá mais dois encontros nas próximas terças-feiras: no dia 28, o tema será “Acessibilidade e cidadania: ações de cooperação e extensão universitária no espaço urbano” e, no dia 5, “Cidades inteligentes e sustentáveis”.

A inscrição para assistir às apresentações, que ocorrem na sala de reuniões B do segundo andar do prédio anexo da Câmara, é gratuita.

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